Ação de humanização emociona mães e transforma a rotina de crianças internadas com momentos de leveza dentro do hospital
A rotina do internamento pediátrico, marcada por medicações, monitores e olhares atentos, ganhou outras cores por algumas horas. Nos corredores da ala infantil do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), a música substituiu o silêncio habitual, e fantasias coloridas passaram a circular entre leitos, sorrisos e olhares curiosos. Sem rua, sem trio elétrico e sem multidão, o Carnaval chegou ali do jeito que era possível, e necessário.
Profissionais de saúde improvisaram um pequeno bloco carnavalesco dentro da unidade. Com adereços, um carrinho de som e muita disposição, a equipe percorreu os quartos promovendo interação, brincadeiras e, principalmente, um respiro emocional para crianças internadas e suas mães, que vivenciam uma rotina exaustiva no hospital. A ação foi organizada pela equipe de enfermagem do setor com um propósito simples: levar leveza a quem enfrenta dias difíceis.
Entre as mães que acompanharam o momento estava Laís Mirella, que há 16 dias acompanha a filha Lorena Valentina, de 9 meses, internada. Diagnosticada com paralisia cerebral, a criança exige cuidados constantes, realidade que, segundo a mãe, torna a internação emocionalmente desafiadora.
“Já é muito difícil lá fora, em casa, e aqui a gente precisa lidar com tudo isso. Não vamos poder curtir o Carnaval. Então, quando eles trazem esse clima para dentro do hospital, é uma alegria. A gente esquece um pouco do sofrimento. Para nós e para nossos filhos, é um momento de descontração. Já vivemos sob muita pressão por causa da doença deles”, relatou.
Nas cenas que tomaram a ala, profissionais dançavam, conversavam com as crianças, interagiam com as mães e transformavam, ainda que por instantes, o ambiente hospitalar em um espaço de acolhimento.
A enfermeira Thyany de Jesus, que atua no internamento pediátrico, explica que a iniciativa integra a proposta de humanização do cuidado. “Não é só sobre tratar a doença. A gente cuida de pessoas. E essas mães e essas crianças precisam, às vezes, de um momento assim para aliviar o peso que carregam todos os dias”, destacou.
Para a gerente do internamento pediátrico do Huse, Valquíria Alves Barros, a ação vai além da celebração da data festiva. “Nosso objetivo foi transformar, ainda que por algumas horas, a rotina dessas crianças e de suas mães. A internação já é um momento muito delicado, cercado de medo, ansiedade e cansaço emocional. Trazer o Carnaval para dentro da ala pediátrica foi uma forma de oferecer acolhimento e mostrar que o cuidado também passa por gestos de humanização”, afirmou.
Gratidão
A leveza do momento ultrapassou a ala pediátrica. Profissionais da Organização de Procura de Órgãos (OPO) do próprio hospital aproveitaram o clima descontraído para percorrer outros setores, levando pequenos gestos de reconhecimento às equipes.
Com cestos de confeitos e lembranças simbólicas, o grupo reforçou o espírito de união entre os trabalhadores da unidade, alcançando também aqueles que, mesmo fora do internamento pediátrico, fazem parte da rotina diária de cuidado.
Para a coordenadora da OPO, Darcyana Costa, o gesto também integra a política de humanização. “Momentos como esse mostram que o cuidado vai além da assistência técnica. Trabalhamos diariamente com situações muito delicadas, que exigem sensibilidade e união entre as equipes. Trazer essa leveza para dentro do hospital também é uma forma de valorizar os profissionais”, ressaltou.







Fotos: Felipe Goettenauer
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