Hemodinâmica do Huse amplia assistência cardíaca pelo SUS com mais de 200 implantes de dispositivos para arritmias

Serviço é o maior centro implantador de dispositivos para tratamento de arritmias em Sergipe, ampliando o acesso a procedimentos especializados, reduzindo o tempo de internação e garantindo acompanhamento aos pacientes

A descoberta de uma alteração cardíaca durante exames de rotina levou José Osman Mesquita, de 64 anos, ao Centro de Hemodinâmica Dr. José Augusto Soares Barreto, do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse). Mesmo sem apresentar sintomas, ele precisou passar por uma avaliação médica que indicou o implante de um cardiodesfibrilador. A partir daí, iniciou uma sequência de consultas, exames e encaminhamentos pela regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) até chegar ao procedimento.
 
Com histórico familiar de problemas cardíacos, Osman contou que outros parentes também enfrentaram situações semelhantes. Após receber o atendimento, ele demonstrou satisfação com a assistência prestada pela equipe. “Foi tudo rápido, o atendimento dos médicos foi muito bom”, avaliou o paciente.
 
A filha de Osman, Andressa Mesquita, também aprovou o atendimento recebido pelo pai e destacou o acolhimento oferecido durante todas as etapas da assistência, desde a marcação até a realização do procedimento. “Desde a marcação até todo o procedimento, foi muito gratificante para nós esse acolhimento, receber esse carinho, essa atenção e profissionais incríveis, que receberam meu pai tão bem”, relatou Andressa, ressaltando que o cuidado da equipe também se estendeu aos familiares durante a internação.
 
A experiência da família reflete a ampliação da assistência cardiológica especializada oferecida pelo SUS em Sergipe. O Centro de Hemodinâmica do Huse já beneficiou mais de 200 pacientes com implantes de dispositivos cardíacos, entre marca-passos, cardiodesfibriladores implantáveis (CDIs) e ressincronizadores cardíacos. A unidade se consolidou como o maior centro implantador desses dispositivos no estado, ampliando o acesso a tratamentos especializados e contribuindo para a redução do tempo de internação.
 
Ampliação do serviço
 
Segundo o cardiologista e coordenador da linha de cuidado do Centro de Hemodinâmica, Dr. José Edvaldo dos Santos, a unidade foi inicialmente estruturada para atender pacientes com doença coronariana, principalmente por meio de procedimentos como cateterismo e angioplastia. Com o funcionamento do serviço, a equipe identificou uma demanda expressiva de pessoas com arritmias e insuficiência cardíaca que também necessitavam de tratamento especializado.
 
“Percebemos que há um número grande de pacientes com patologias que também evoluem com insuficiência cardíaca. Não somente a doença coronariana, mas pacientes que têm, por conta de algumas arritmias e também como consequência de infartos prévios, uma queda na fração de ejeção, que é a força do coração”, explicou o cardiologista.
 
A identificação dessa necessidade impulsionou a ampliação dos procedimentos realizados pela unidade, inicialmente com a implantação de marca-passos definitivos. Antes da estruturação do atendimento, pacientes podiam aguardar cerca de 20 dias pelo procedimento, permanecendo internados durante esse período ou em casa, a depender das condições clínicas e da orientação médica.
 
Com a reorganização do fluxo assistencial e a ampliação da capacidade de atendimento, o tempo de espera e de internação foi reduzido. “Hoje a gente faz o implante no dia seguinte à chegada do paciente. Então aqueles internamentos que duravam 20 dias, hoje duram dois dias no máximo. Diminui o tempo de internação, diminui a quantidade de complicações pós-operatórias, os pacientes vão rapidamente para casa”, destacou José Edvaldo.
 
A evolução do serviço também pode ser observada no volume de procedimentos realizados. De acordo com o médico, antes eram feitos cerca de dois a três implantes por mês. Atualmente, a média chega a, aproximadamente, dez procedimentos por semana, demonstrando a ampliação da capacidade de atendimento aos pacientes que necessitam desse tipo de tratamento.
 
Além dos implantes, o Centro de Hemodinâmica estruturou um ambulatório de retorno para garantir a continuidade da assistência após a alta hospitalar. O acompanhamento permite avaliar a evolução clínica dos pacientes e monitorar o funcionamento dos dispositivos, contribuindo para a segurança e a qualidade do tratamento ao longo do tempo.
 
Tratamento
 
A cirurgiã cardiovascular Leila Nogueira, integrante da equipe responsável pelos implantes, explica que a escolha do dispositivo depende do diagnóstico, das condições clínicas e das necessidades de cada paciente. Os marca-passos são utilizados principalmente no tratamento das bradiarritmias, alterações caracterizadas por batimentos cardíacos mais lentos do que o esperado. Já os cardiodesfibriladores implantáveis podem identificar e tratar determinadas arritmias potencialmente fatais.
 
Outro recurso disponível é o ressincronizador cardíaco, indicado para alguns pacientes com insuficiência cardíaca que continuam apresentando sintomas apesar do tratamento medicamentoso e que atendem aos critérios clínicos para o procedimento. O dispositivo auxilia na coordenação das contrações do coração, podendo contribuir para a melhora da função cardíaca e da qualidade de vida. “Temos vários tipos de dispositivos. Temos os que são para bradiarritmia, que são os marca-passos, os CDIs, que também são para taquiarritmias, e o ressincronizador, que é um dispositivo utilizado no tratamento de insuficiência cardíaca refratária”, explicou Leila.
 
A médica ressalta que sintomas como desmaios sem causa esclarecida e dor no peito precisam ser avaliados por um profissional de saúde. A investigação clínica é fundamental para identificar a origem do problema e definir a conduta adequada, uma vez que a necessidade de implantação de um dispositivo varia de acordo com o quadro de cada paciente.
 
No caso da insuficiência cardíaca, a indicação do ressincronizador considera fatores como a persistência dos sintomas, a resposta ao tratamento medicamentoso e os resultados dos exames que avaliam o funcionamento do coração. A avaliação especializada permite identificar os pacientes que podem se beneficiar do procedimento. “Muitas vezes, só a medicação não é capaz de melhorar a função do coração e melhorar os sintomas do paciente. Então, nesses casos, o paciente tem indicação de fazer o implante do ressincronizador”, detalhou a cirurgiã cardiovascular.
 
Acompanhamento contínuo
 
Além da realização dos procedimentos, o acompanhamento após a alta hospitalar é parte essencial da assistência oferecida pelo Centro de Hemodinâmica. Os pacientes retornam à unidade para avaliações periódicas e seguem sob os cuidados da equipe de arritmologia, responsável pelo monitoramento clínico e pela verificação dos dispositivos implantados.
 
O seguimento permite acompanhar a evolução do quadro cardíaco, avaliar a resposta ao tratamento e identificar eventuais necessidades de ajustes na assistência. Dessa forma, o serviço busca assegurar não apenas o acesso ao procedimento, mas também a continuidade do cuidado. “Todos os pacientes são acompanhados aqui no ambulatório de retorno, e esse acompanhamento é para sempre. Não temos mais fila para procedimentos de arritmia no estado e hoje a gente é o maior centro implantador de dispositivo de arritmia do estado de Sergipe”, afirmou a profissional.

Fotos: Felipe Goettenauer

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