Seminário Faça Bonito reforça rede de proteção contra a violência sexual de crianças e adolescentes em Sergipe

O enfrentamento à violência sexual exige atuação integrada e compromisso permanente de toda a sociedade para assegurar proteção, acolhimento e cuidado de crianças e adolescentes

Em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado no dia 18 de maio, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) realizou, nesta terça-feira, 19, o seminário ‘Faça Bonito’, para fortalecer ações de prevenção, acolhimento e atendimento especializado. O evento reuniu profissionais da saúde, assistência social, educação, segurança pública e do sistema de justiça para discutir estratégias de prevenção e enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.
 
O evento acontece anualmente como um importante espaço de sensibilização, capacitação e articulação entre os municípios, como reforçou a referência técnica do Núcleo Vigilância de Violências e Acidentes da SES, Ingrid Lima da Silva. “É fundamental que esse tema seja discutido continuamente, e não apenas no 18 de maio, data nacional de combate ao abuso e à exploração sexual. Precisamos fortalecer as ações de prevenção, ampliar a capacidade de identificação dos casos e garantir que os profissionais saibam como agir, para onde encaminhar e quais órgãos de proteção devem ser acionados sempre que houver suspeita ou confirmação de violência”, destacou.
 
O 18 de maio marca uma data de profunda reflexão e mobilização em defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Nesse dia, em 1973, uma menina de 8 anos, moradora de Vitória (ES), foi sequestrada, violentada e assassinada em um crime que chocou o país. Seu corpo foi encontrado seis dias depois, com sinais de extrema violência, e os responsáveis nunca foram punidos. Em memória dessa tragédia e após intensa mobilização da sociedade civil, foi sancionada a Lei Federal nº 9.970/2000, que instituiu o 18 de Maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data tem como objetivo sensibilizar a sociedade brasileira para a importância da prevenção, da denúncia e do enfrentamento de toda forma de violência sexual contra crianças e adolescentes.
 
Segundo a diretora do Centro de Apoio Operacional da Infância e Adolescência do Ministério Público de Sergipe (Ceop), Talita Cunegundes, essa é uma campanha de grande importância, que envolve o poder público, as instituições de justiça, as famílias e a sociedade civil. “Vivemos, hoje, uma realidade marcada por profundas transformações tecnológicas e sociais. Novas formas de violência têm surgido, como o compartilhamento não autorizado de imagens íntimas, o aliciamento online e outras práticas que colocam crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Por isso, é fundamental compreender essa nova dinâmica e construir estratégias de enfrentamento cada vez mais eficazes”, ponderou.
 
Atendimento especializado
 
Em Sergipe, o atendimento especializado é realizado pelo Centro de Referência no Atendimento Infantojuvenil (Crai), serviço estadual que é referência no cuidado integral a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
 
O Centro funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, oferecendo acolhimento e acompanhamento multiprofissional por, no mínimo, seis meses. Nos períodos noturnos, fins de semana e feriados, os atendimentos de urgência e emergência são realizados no Hospital da Criança, que faz o primeiro acolhimento e encaminha os pacientes para continuidade do tratamento no ambulatório especializado.
 
Em três anos de funcionamento, o Crai já contabilizou mais de 17.500 atendimentos, evidenciando a importância do serviço e a necessidade de ampliar continuamente a rede de proteção.

A psiquiatra do Centro, Ana Salmeron, enfatiza a relevância do serviço. “O Crai atua em uma etapa essencial do processo, oferecendo assistência integral às vítimas e contribuindo para minimizar os impactos emocionais e psicológicos decorrentes do abuso. É importante destacar que, mesmo quando não há sinais de violência física, cerca de 96% das crianças e adolescentes atendidos apresentam algum tipo de sofrimento emocional ou psíquico”, frisou. 

Fotos: Valter Sobrinho

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